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PONTOEDITA
Zelda Fitzgerald

Zelda Fitzgerald publicou apenas o romance “Esta valsa é minha”, de 1932. No entanto, entre os anos de 1917 e 1948, quando morreu em um trágico incêndio no sanatório em que estava internada com diagnóstico de esquizofrenia, ela escreveu uma série de contos, artigos e textos jornalísticos. Alguns desses textos chegaram a ser publicados — embora quase sempre assinados também por seu marido, F. Scott Fitzgerald. Parte dessa produção esparsa, objeto de estudo de pesquisadores pelo mundo, começa finalmente a chegar ao público brasileiro com a antologia que a Ponto Edita lançará nas próximas semanas.

Nossa edição propõe uma leitura…


Eddra Gale no filme “Oito e meio”, de Federico Fellini (1963).⁣⁣

“Então o filme é projetado: a mãe, o pai, uma sacada no meio de uma cidade, os verões em San Benito, Leandro, Patricia Parfait, a vida de adulto, outras mulheres, Martina, uma viagem de avião, uma casa, um velho que corta costelas de cordeiro, uma atriz que nunca será sua musa inspiradora. E Lang, Georges Méliès, Fellini. Sempre acaba pensando em Fellini. O sorriso do avô quando via a Saraghina na praia, rumba, Saraghina, rumba!, e o avô ria e secava as lágrimas com um lenço de tecido.”⁣⁣⁣
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Trecho do romance do escritor argentino @enzomaqueira que lançaremos nos próximos meses. O livro já está em processo de revisão.⁣⁣⁣
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Entre o tradicional e o moderno

Willa Cather

Por Nicolas Neves

Quando Uma mulher perdida foi publicado por Willa Cather em 1923, as bases da literatura modernista já haviam se sedimentado. No caso europeu, a tradição da ruptura[1] dera-se a partir de obras como Ulisses (1922), de James Joyce, O quarto de Jacob (1922), de Virginia Woolf, e A metamorfose (1915), de Franz Kafka. A modernidade literária norte-americana, por sua vez, frutificara após os primeiros bosquejos de Walt Whitman e seus contemporâneos, fortalecendo-se sobremodo a partir da erudição poética de T.S. …


Como um disco de Tori Amos abriu a minha mente para editar Gertrude Stein

Gertrude Stein e seus cães Pepe (D) e Basket (E) em Bilignin, França, 1934. Foto: Carl Van Vechten

Por Mauricio Tamboni*

Rosa é uma rosa é uma rosa. Ao ouvir o nome Gertrude Stein, suponho que muitos imediatamente pensem nessa frase. Justo. É a que mais aparece por aí. E foram rosas que me acompanharam no processo de edição de um livro de Stein.

Em algum momento no início de 2018 — aquele 2018 que a gente nunca vai esquecer — , recebi de Luís Protásio a primeira versão da tradução. Comecei a trabalhar e senti que, em cima do que ele havia criado, eu talvez pudesse acrescentar uma dose da musicalidade que sempre ouvi em Stein. Foi…


“A incerteza de que podia dar tudo errado, com alguma chance de acabar tudo bem.”

É assim que o músico e ex-VJ da MTV Luiz Thunderbird refere-se a Desvio, livro de estreia do argentino Juan Francisco Moretti na prosa longa. A obra é um remix de humor e drama que narra a epopeia mais trivial de uma geração: a que nasceu ou cresceu nos anos 90, com a MTV e a internet dial-up. …


Angel Evangelista, vivida pela atriz trans Indya Moore na série Pose (FX/Fox Premium/Netflix)

Por Maik Gomide

Edição: Priscila Calado

Pose, aclamada série criada por Ryan Murphy (Glee, American Horror Story, Hollywood) sobre o cenário LGBTQI+, afro-americano e latino-americano da cidade de Nova York e a cultura ballroom nos anos 80 mostra que as mulheres trans são a base de onde estamos agora.


5 cenas do clássico de Lewis Carroll imaginadas por Zelda Sayre Fitzgerald

Em 1930, estimulada pelos médicos, Zelda Sayre Fitzgerald começou a usar a pintura, arte que praticava já há alguns anos, como parte de seu tratamento — ela foi diagnosticada por Eugen Bleuler com esquizofrenia.

Os cinco guaches criados em 1940 para ilustrar “Alice no país das maravilhas” (abaixo) estão entre seus melhores trabalhos. Nessas criações, Zelda usa cores explosivas e composições dramáticas para ilustrar as complexidades, ambiguidades e absurdos presentes no texto inventivo de Lewis Carroll. …


Kate Armstrong

Kate Armstrong

Nestes dias, não vou para a cama. Não espero descansar. Em vez disso, quando chega a noite, eu me enrolo num cobertor no sofá, ainda com as roupas do dia, e conto as sirenes das ambulâncias entrando e saindo do hospital que sempre esteve ali, no fim da rua, e que agora parece particularmente próximo. Igual a tantas coisas neste novo mundo, meu sono é uma atividade improvisada — só cochilo de leve, calma mas ainda alerta, pronta para entrar em ação se precisar.

Em contrapartida, descanso durante o dia. Há horas de trabalho e há horas que passo no…


Zelda Sayre Fitzgerald e o caso da artista mulher

Arte: Gabriela Siqueira, 2020

por Marcela Lanius*

… a vida cantarolando baixinho uma canção de ninar.

E m uma carta escrita em abril de 1919, Zelda Sayre contava ao noivo, F. Scott Fitzgerald, sobre a tarde que passara no cemitério:

Passei o dia inteiro no cemitério, hoje. Na verdade não é bem um cemitério, você sabe — tentando destrancar uma campa enferrujada de uma sepultura construída na encosta do morro. Está toda esboroada e coberta de flores chorosas de um azul aguado, que podem ter nascido de olhos mortos — grudentas ao toque e com um cheiro enjoativo — Os rapazes queriam entrar lá para testar meus…


Ana C. sobre Zelda

Zelda Sayre Fitzgerald em Westport, Connecticut, 1920
Zelda Sayre Fitzgerald em Westport, Connecticut, 1920
Zelda Sayre Fitzgerald em Westport, Connecticut, 1920

Estou
trêmula porque não cabe no tempo
trêmula — porque não cabe — no tempo
que não te oferto
habito a casa de quando em quando
meu bem: a visão da janela escapa
não te oferto
Não, não é diante da janela
que falo
Não é diante da janela que te falo
Não recito para os pássaros
Não é o que se diga

“Não adianta.”

Antes havia o registro das memórias
cadernos, agendas, fotografias
Muito documental.

Eu também estou inventando alguma coisa
para você.
Aguarde até amanhã.

Uma vez ouvi secamente o chega pra lá
e pensei: o mundo despencou

PONTOEDITA

Olhe de novo. Leia de novo. Pense de novo. Pense independente.

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